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Nunca juntos mas ao mesmo tempo/Jamais ensemble mais en même temps

Nunca juntos mas ao mesmo tempo/Jamais ensemble mais en même temps

Autor: Wagner Schwartz
Editor: Nós (2018)

Capa mole: 176 páginas
Língua: Português/Francês
ISBN13: 978-85-69020-34-9

€ 12,00

A literatura é um segredo, um mistério. A narrativa de Wagner Schwartz reconduz esta surpresa e, mais ainda, de um jeito renovado, constrói uma história no sentido mais forte do termo — a de Adeline —, que perturba e fascina por um sistema de revelações e de silêncios. E é isso que nos interpela, esse jeito de reter a informação romanesca, de fazer dos seus furos, das suas ausências, dos seus brancos, um elemento narrativo.

A personagem está, no entanto, potentemente presente através das relações que ela entretém com seu entorno: o café onde trabalha, a amiga que frequenta, o amante. Essa relação com o mundo tece literalmente um novelo que desenha uma personalidade.

O que salta aos olhos nessa narrativa — e desta vez a expressão é absolutamente justificada —, é, antes de tudo, a própria inscrição do texto na página, o vazio em torno do texto. Tal fato não é um simples dispositivo editorial, e sim uma intenção de escrita, como se o autor escrevesse também com o vazio. A personagem está, ela mesma, inscrita no mundo da mesma maneira, por aquilo que recusa explicar, dizer, contar. Adeline retorna frequentemente a essa necessidade, ou a essa vontade teimosa de guardar para si certos elementos da narrativa. Por este procedimento, o leitor entra no romance, ele supõe, inventa, reconstitui. É tudo aquilo que anima o rito literário em jogo: a falta, a ressonância, o espaço partilhado entre o leitor e o personagem, a troca. A emoção se instala, se entranha como o silêncio sobre um rosto e dele esculpe os traços.

Aproximam-se progressivamente as tramas, as forças de tensão — o trabalho e suas obrigações, o amor e suas decepções, a amizade, a maternidade. Tudo circula, tudo faz sentido, a palavra e o que lhe segue: o branco. Como uma vibração, um distúrbio, uma empatia inexplicável, um elo entre os seres, um elo trágico, no sentido literal, um elo que tudo contém do tecido das vidas.

Nunca juntos mas ao mesmo tempo, diz o título. Este enunciado parabólico desvela e deslinda a abordagem do autor: dar conta do paradoxo de toda humanidade, essa separação original, e, todavia, conjunta, simultânea das existências.

Adeline é uma figura familiar, uma figura de nós, um reflexo complexo. Ela é partilhada entre a sua inquietação e o seu papel consciencioso de fazer o que ela tem de fazer e de viver sua vida. E nós a seguimos, a olhamos, a ouvimos, bebemos suas palavras e aceitamos suas recusas.

Schwartz consegue, do seu jeito, com seu próprio vocabulário, com sua maneira profundamente poética, convocar um mundo, inaugurar uma rede de imagens, de momentos, de palavras. E traça uma nova vereda, audaciosa, que, após a leitura, permanece suspensa em nós, como um êxito do sentido e da linha dos destinos.

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